Qual a sua essência?

Até que momento de nossas vidas somos, efetivamente, nós mesmos?  Pergunto partindo do pressuposto que nascemos com um potencial próprio, único. Não sei se a culpa é das estrelas, de encarnações ou de uma combinação de genes de nossos pais que nos marcaria com comportamentos pré-definidos antes mesmo de nascermos. O fato é que nem gêmeos possuem características comportamentais iguais. Somos 7 bilhões de seres diferentes. Ponto.

Aí chega um momento que começamos a mudar, começamos a deixar de ser nós mesmos. E isso começa com dias de vida? Com meses? Com anos? A família, os amigos, o que vemos, o que lemos, o que ouvimos, onde moramos, os locais que freqüentamos, os brinquedos que ganhamos, as histórias que ouvimos, as repressões que recebemos, os elogios, a escola que freqüentamos… tudo isso tenta, de algum modo, nos mostrar que suas verdades são maiores e mais corretas que nossas características e que precisaremos nos moldar à seus conceitos para nos… enquadrar. E como seres que necessitam de aceitação, seres que vivem em grupos, em bandos, nós, humanos, vamos aceitando, rebelando, sendo “moldado” para podermos viver em sociedade. Com certeza é fundamental que existam regras para que as sociedades existam e as pessoas vivam suas individualidades de modo a não “incomodar “ou “atrapalhar”o conjunto. Temos que abrir mão de algumas coisas para que outras não nos incomodem.

 

“Qualquer indivíduo é ao mesmo tempo indivíduo e humano:
difere-se de todos os outros e parece-se com todos os outros”.

Fernando Pessoa

 

Até que chega um dia que vemos que as imagens que estão refletidas na parede são sombras e resolvemos virar o rosto e olhar diretamente para o real –  Platão no Mito da Caverna,  no séc IV a.C. já buscava organizar questões do real, do autoconhecimento e da educação –.  Mas quanto de nós, de nossa essência, fica preservado contra tudo e contra todos?

O que somos hoje é o que somos em nossa essência? Nossos desejos, valores, nossa natureza está refletida em nosso dia a dia? Minha essência artística está sendo utilizada, pelo menos em parte? Meu perfil negociador está sendo aproveitado? Minha característica de excelência organizacional faz parte do meu trabalho? Consigo me ver utilizando o que tenho de melhor nas minhas atividades profissionais?

Criar filhos preservando suas essências não é nada fácil. Crescer e perceber que não somos o que queremos ser e tomar alguma atitude em relação a isso, também não é nada fácil. Se acomodar e adotar modelos que “facilitam” o processo educacional ou se acomodar no que nos tornamos parece ser mais aconselhável, mas com certeza não é o mais saudável.

O que fazer? Renasça. 

 

(texto extraído do meu livro)

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