Como fazer meus filhos estudarem esse ano?

Ano escolar começando. Vai ser a mesma guerra pra eles estudarem?

Num passado bem recente, não existia whatsapp, instagram, facebook, youtube, 150 canais de TV além de milhares de sites com assuntos dos mais diversos.  Na TV eram 4 canais e à tarde, o que nos restava para assistir, eram os filmes da Sessão da Tarde do Elvis Presley e os musicais com Fred Astaire que reprisavam diversas vezes. Isso há 40 anos atrás…

Os telefones celulares se tornaram popular não tem nem dez anos. E hoje é difícil você encontrar uma criança que já não tenha um ou um tablet.  Você que é mãe ou pai novo, com aproximadamente 30 anos de idade, provavelmente, quando estudava, freqüentou bibliotecas, comprou muitos livros e conseguiu, algumas matérias, na internet. Se você estiver na faixa dos 40, já estudou toda sua infância e adolescência sem internet… Se você faz parte da turma que tem mais de 50, a única coisa que tinha acesso pra estudar eram livros e bibliotecas. Quem lembra da Enciclopédia Barsa?

Essa revolução tecnológica vem acontecendo tão rapidamente que mal percebemos como tem mudado nossas vidas. Basta olhar para um casal num restaurante. A possibilidade de um ou ambos estarem olhando para o celular é enorme. E, em que pese tudo estar vindo com muita coisa interessante e trazendo muitos benefícios, tem feito, também, aflorar de modo mais intenso, facetas humanas que precisam ser cuidadas. O sexo se banalizou, vídeos dos mais nocivos são postados todos os dias, a quantidade de assuntos supérfluos e de valores, no mínimo, duvidosos, invadem as telinhas.  E o mundo continua com grandes questões para serem resolvidas: falta de água em alguns lugares e excesso em outros, corrupção por todos os lugares, desequilíbrio social, fome, problemas climáticos gravíssimos, guerras religiosas…

E nesse contexto todo, temos que educar nossos filhos. Educar para crescerem com bons valores, para terem disciplina e foco em suas atividades, para tornarem-se pessoas felizes e produtivas. Tudo isso sabemos, concordamos e queremos, mas como fazer?

Pais e mães precisam trabalhar e acabam tendo que terceirizar a educação de seus filhos para escolas, muitas vezes, pouco preocupadas em educar, mas simplesmente focadas em “entupir” crianças e adolescentes com uma quantidade enorme de matérias. E isso não pode ser visto como falha das escolas, é fruto do modelo escolar adotado no Brasil que exige que ao 18 anos jovens tenham tamanho conhecimento de Química, Biologia, Física, Matemática, Geografia, Português e Línguas que se torna impossível colocar qualidade junto à tanta quantidade.

E como se já não bastasse a quantidade de matérias a serem dadas, as escolas, para se viabilizarem financeiramente, precisam lotar salas de aulas tornando o processo em nada personalizado. É impossível um professor dar atenção a todos alunos, corrigir provas, preparar aulas com a qualidade com que poderia pois, se já não bastasse a quantidade de tarefas a serem feitas, eles precisam dar aulas em diversos tempos e escolas de modo que possam viabilizar um salário que os permitam terem uma qualidade de vida, no mínimo, razoável. E acabam tendo que abrir mão, também, de especializações, atualizações, cursos de extensão, todos tão ricos e necessários para sua evolução como professor e para o bem dos alunos e da nação.

E nesse cenário tão promissor, vimos pais chegando em casa e se deparando com filhos com déficit de atenção, com pouco foco, experts em sites, jogos, mas nada envolvidos em seus estudos.  E o que fazer, perguntam eles sem tempo e conhecimento?

Não ter foco não é culpa da internet. Não ter motivação não é culpa da internet. O que a internet trouxe, na verdade, foram mais oportunidades, mais janelas, para dinamizar a falta de foco e de motivação que sempre existiu. Quanto mais brinquedos tenho ao meu alcance na hora do estudo,  mais disperso fico.

O ato de estudar em si já é um processo educador. Saber se organizar, priorizar assuntos, ter agenda, concentrar são atitudes que além de ajudar no processo do estudo, acabam promovendo a formação de valores que serão fundamentais para a vida adulta das crianças. Na medida que essas questões não são cuidadas, a tendência é termos seres humanos e profissionais menos preparados para resolver tantas questões fundamentais para as nossas vidas.

Disciplina não é sinônimo de ditadura, nem procrastinação é sinônimo de liberdade. Concentração, foco, organização, planejamento e objetividade são características que trazem evolução, liberdade e felicidade. Dar limites e dar as mãos. É esse um dos papeis dos pais e das escolas

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