O mau-humor do Felipão e a neurociência

Fiquei impressionado com a má vontade do técnico da seleção brasileira na sua última entrevista coletiva após o empate com o México. Não é novidade para ninguém que o cara nunca foi dos mais simpáticos, longe disso, mas na última coletiva ele se superou. As respostas eram todas monossilábicas sempre expressando uma cara de deboche, impaciência e demonstrando um desrespeito total com profissionais que não estavam ali por diversão.

“Mas tem cada pergunta que fazem que o cara até perde a paciência, né? Dizem alguns em defesa do técnico. “Os repórteres tiram o cara do sério” complementam outros. O problema é que a má vontade dele não acontece de vez em quando, é marca registrada do cara.

Nada no Brasil provoca tanta emoção quanto o futebol. Não tem pro carnaval, pro vôlei, pra Fórmula 1, pra política, pra nada… Somos todos, em algum nível, torcedores, técnicos, jogadores, preparadores físicos, analistas, palpiteiros. O futebol não é uma ciência exata. Não tem um modelo pronto que, basta aplicá-lo, e o resultado será o previsto. O futebol depende da atuação de 25 pessoas totalmente diferentes: 11 de cada lado e mais um juiz e dois bandeirinhas. E ainda tem o aspecto clima: chove, esquenta demais… Nada que se faça ou planeje em treinos e em preleções será 100% exato, pois sempre terão outras fatores que poderão contribuir ou não, para que o foi combinado, aconteça de fato.

Findo um jogo, (na verdade já durante) olhando para o que vimos em campo, começamos a avaliar, ponderar, questionar se o que o Felipao combinou, planejou, caso tivesse sido feito de outro modo não poderia ter dado certo. E qual o papel de um jornalista esportivo senão o de questionar as decisões tomadas pelo técnico e trazer a tona perguntas relativas a eventuais alternativas que poderiam ter sido tomadas? O papel do jornalista é bater palmas para todas as decisões dos técnicos? Elogiar, sempre, os jogadores em campo? Apoiar incondicionalmente qualquer decisão do técnico, “afinal ele estava tentando o melhor.”..?

E qual o comportamento que deve ter um técnico da seleção de futebol do Brasil? Se existem coletivas de imprensa, pressupõe-se que o técnico deva ir com, no mínimo, boa vontade para atender aos jornalistas e, de modo até irônico quando for o caso, debochar, rir de alguma colocação mal feita, ou alguma pergunta mal apresentada. Mas chegar sempre de mau-humor e com má vontade faz parte da função dele?

Enfim, como esse espaço é voltado para questões de neurociência, motivação, empreendedorismo e outras curiosidades, aproveito para recomendar ao nosso amigo Felipão que mude seus hábitos alimentares. Isso porque o mau-humor pode ser falta de produção de serotonina e de endorfina . A serotonina ajuda a controlar o humor e, quando sentimos falta dela, buscamos no pão e no açúcar (doces e carboidratos contêm serotonina). Mas quando comemos açúcar e carboidratos, engordamos e trazemos com isso todos os outros males. Para evitar isso meu caro Felipão, procure comer mais banana, abacate, mel, nozes, salmão que contém triptofano um excelente substituto para a serotonina comumente encontrada em alimentos tão calóricos. E faça mais exercícios, a endorfina, produzida na hipófise em resposta às atividades físicas, ajuda a relaxar, proporciona prazer e bem estar. E com isso, tenho certeza que, além de melhorar seu humor e sua paciência, estará cuidando melhor de sua aparência que, cá entre nós, anda meio desgastada.

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